quarta-feira, 21 de setembro de 2011

quanto ao contar na história (ou a subjetividade do historiador)

O que é a história? Ficção ética como norma de conduta (enquanto disciplina) e roteiro(em atos) para um futuro pleno? Encontro com um outro indizível que orienta de forma mais visíveis nossas fronteiras? Representação do presente quanto a um passado com uma substancia fugidia? Onde colocar a história enquanto saber? Parece que na modernidade toda história como uma disciplina séria e digna de nota se preocupa como um processo desencadeado em um espaço de tempo desempenhado por atores sociais e jamais individuais, por mais que indivíduos possam ter grande representatividade. Mas a demarcação desse espaço, a escolha do "ângulo" para a analise da vista, os comentários e posições do autor quanto ao acontecimento, o inicio e termino do processo em termo são variáveis no mínimo problemáticas. Há que se ter em vista o engajamento subjetivo. Mas de que se trata essa subjetividade? Não pretendo aqui interrogar até onde vai a objetividade e "cientificidade" no estudo da história, mas o que vem a ser essa subjetividade "arbitraria" que irrompe nas ciências, de forma particular nas ciências humanas e por conseguinte na história.

Em primeiro lugar vamos demarcar o espaço dessa subjetividade. Ora, subjetividade não é invencionice e muito menos fabricação de fatos, mas uma postura partidária ante os acontecimentos uma forma especifica de colocar a objetividade. Nenhuma historiografia escapa a isso. Seja Marxista ou liberal, seja tradicionalista ou pós-moderna. Por subjetividade, aqui entendemos as mãos do fotografo que não só vai tirar uma fotografia, como escolher o ângulo, aonde irá focalizar, a iluminação e obviamente o que irá fotografar. São as mãos que tornam possíveis uma "objectividade", ou melhor, um objeto. Não é só a lente dos óculos por quais se observam o mundo. Mas esta escolha do angulo, o foco, as cores, o tema (talvez exceto o tema), não são escolhidos por uma subjetividade isenta de determinações. Ou melhor, antes de qualquer coisa há uma preocupação com a verossimilhança e para o tal há um método e uma estética: deve-se sair uma boa foto. E para isso há diversas escolas e formas de se conceber o que vem a ser essa verossimilhança.

Mas a minha preocupação aqui é com a subjetividade e como essa subjetividade é constituida, o que forma a sua estrutura, a sua funcionalidade e os dispositivos que a legitimam. Falamos da foto e de como uma historia bem contada assemelha-se a uma boa fotografia. em primeiro lugar deve-se especificar que assim como a fotografia a história tem como ficção ética a tarefa de representar a realidade e assim como a fotografia a narrativa é em terceira pessoa sendo o narrador apenas um observador. A que citar as fontes e tudo o mais, mas justamente no silêncio, assim como na fotografia, reina a subjetividade do autor: por que escolhem alguns relatos em detrimentos de outros, por que alguns fatos são representativos da realidade e não outros e essa vontade moderna pela história do não dito(o que abre espaço para a imaginação como tese, mas isso é outra discussão), enfim, a subjetividade em história é um silêncio. E esse silêncio serve justamente para transparecer uma forma especifica de encadear os acontecimentos de tal forma que apontando para projetos políticos, idearios de estetica, construção de paradigmas ou projetos científicos específicos, são sempre legitimados por um jogo na politica das verdades do presente deste suposto autor. O que indica não um rasgo na objetividade, ou um falseamento do que viria a ser o real passado (ideal ambicioso demais [ou inexistente] para a memoria e suas extensões e recriações), e sim um acesso a essa objetividade multifacetada e sujeita milhões de olhares.